Engenharia Baseada em Evidências

Prezados Amigos e Colegas,

Assunto em “moda” ou não,  o fato é que a maioria das nossas áreas de Engenharia já trabalha com as chamadas “Evidências” para as tomadas de decisão.

Porém, provavelmente, não estejamos fazendo o chamado Gerenciamento ou Administração Baseada em Evidências.

Há muitas razões para que isso não aconteça, por exemplo:

– Vivemos “Apagando Incêndios”;

– Não fomos treinados ou orientados para fazer dessa forma;

– Não sabemos ou não conseguimos começar;

– Não conhecemos ou sabemos se iremos ter alguma recompensa em usar essa metodologia;

– Não sabemos se teremos Retorno de Investimento (ROI);

– Há riscos políticos, com outras áreas envolvidas, dentro da nossa Instituição.

Cada vez mais, na luta para manter a segurança, combatendo custos ou decidindo melhor sobre os investimentos, deveríamos utilizar essa metodologia.

Nos dois casos, as questões envolvidas são semelhantes:

– Porque e onde devemos atuar?

– Que área ou item mais nos incomoda? E, porquê?

– Qual a qualidade ou validade das informações para a tomada de decisão?

– Há evidências relevantes do problema ou do investimento?

– Como apresentar essas evidências?

Vou citar abaixo um exemplo de Problema X Investimento e, a partir dele, fazer algumas observações que nos levam à Engenharia Baseada em Evidências.

Evidências objetivas atuais:

– Em uma UTI começam a ser abertas muitas ordens de serviço sobre problemas recorrentes com monitores de sinais vitais de tubo (TRC);

– Os custos e reclamações começam a crescer, por diversos motivos: numero de chamados, horas dedicadas a serviços internos ou de terceiros, peças, locação temporária de outros monitores para substituição dos que apresentaram defeito, leito parado, insatisfação;

– Após sofrer com as reclamações, convoca-se uma reunião com a assistência técnica do fabricante para entender os problemas;

– Em função da idade dos equipamentos, os upgrades não são mais viáveis técnica e financeiramente;

– O fornecedor emite, após solicitação, um documento de “End of Life” dos monitores;

Nesse caso, parece que só resta a substituição dos monitores, porém são importantes mais algumas observações:

O que acontece até que se tenha, se apresente as Evidências corretas e se tome a decisão de substituição?

– Os problemas e custos acima citados continuam se elevando;

– São feitas demonstrações, testes e solicita-se orçamentos de novos equipamentos (marcas e modelos diferentes) que sempre demoram alguns dias;

– Normalmente, para novos equipamentos em uma UTI, há custos extras de instalação, cabeamento de rede ou infra-estrutura, dependendo do que se quer comprar e da UTI;

– A compra de urgência nunca é negociada no melhor preço ou taxa de financiamento;

– Os equipamentos adquiridos levam entre 60 a 120 dias para ser entregues, dependendo da marca, quantidade e disponibilidade;

– Durante esse período, normalmente os problemas e custos continuam aumentando. Quanto mais tarde for tomada a decisão pior o custo atual;

Há algumas Evidências que poderiam ter sido vistas antes:

– Se forem monitores de Tubo (TRC) e se já tem mais de 10 (dez) anos de uso, podem sofrer desgaste natural na visualização da imagem, em função do tubo e do uso;

– Em função da idade dos equipamentos, os upgrades nessa versão não são mais viáveis técnica e financeiramente (Já citada anteriormente);

– Os equipamentos em uso possuem poucos parâmetros disponíveis em seus modelos que permitissem ampliar a cobrança, junto às fontes pagadoras, sobre sua utilização;

– A ocupação e a utilização dos monitores é elevada e tem sido assim nos últimos anos;

– O contato permanente com os fabricantes deveria ter gerado um documento de alerta sobre o tempo de fabricação e utilização dos monitores;

– A necessidade de substituição deveria ser programada, orçada com antecedência e discutida na Direção da empresa, em função dos custos e alternativas de utilização até sua concretização;

Com as “Evidências” de substituição mais claras, podemos ampliar as opções para essa Tomada de Decisão:

– Os monitores a ser adquiridos podem ter mais parâmetros, que não estavam disponíveis em todos os equipamentos antigos e que podem permitir mais itens de cobrança, junto às fontes pagadoras, melhorando o Retorno sobre esse Investimento (ROI);

– Alguns dos monitores que foram consertados no passado e que ainda estão funcionando bem, podem ser utilizados em outras áreas, até que sejam completamente desativados, podendo melhorar o resultado e a segurança em outras áreas;

– Caso sejam adquiridos equipamentos novos da mesma marca dos atuais, podemos evitar a aquisição de muitos acessórios, para manter a padronização e intercambiabilidade entre setores e no transporte de pacientes, além de diminuir os problemas de adaptação das equipes ao novo equipamento;

– Porém, podemos aproveitar esse momento de aquisição e comprar acessórios por melhores preços do que em um pedido individual;

Enfim, se tivermos um problema repetidas vezes em um setor ou equipamento e conseguirmos nos dedicar a estudar a viabilidade das alternativas, de forma preventiva, inclusive a aquisição de um novo equipamento, programado ou não, certamente teremos maior probabilidade de acerto nas decisões e estaremos praticando a chamada Administração, Gerenciamento ou Engenharia Baseada em Evidências.

Agradeço a todos pelas contribuições, comentários e críticas no Blog e no Website.

Um grande abraço a todos.

Luciano Martins Gehrke

gehrkeluciano@hotmail.com

http://www.gerenciamentodecrise.com.br/site

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