Plano Diretor de Investimentos

Prezados Colegas,

O assunto tratado anteriormente, Ciclo de Vida de Equipamentos, nos remete ao gerenciamento da área de engenharia, ao planejamento de orçamento (budget) e, por analogia, sobre como preparar um Plano Diretor de Investimentos na área da saúde.

Nesse texto, vou apresentar uma proposta de Plano Diretor de Investimentos (PDI).

Uma proposta similar a essa foi implantada em unidade de saúde em que trabalhei e com grande sucesso.

É claro que a decisão inicial sobre um PDI deve ser tomada pela Direção da Instituição, senão nenhum trabalho seguirá adiante, daí nossa importância em sugerir tal metodologia, para aprimorar nosso gerenciamento sobre os recursos.

Proposta para Plano Diretor de Investimentos:

A) A Direção da Instituição deve Definir Políticas Institucionais de Investimento:

A solicitação de investimento de cada Setor de um Hospital deve estar alinhada com pelo menos uma das Políticas abaixo sugeridas:

– Incentivar ou implantar serviços de referência (alinhados à Visão e Missão da Instituição);

– Priorizar ações de incentivo à receita e ao resultado;

– Priorizar ações de otimização dos serviços e recursos;

– Ações que tenham viabilidade física e financeira;

– Ações Sociais.

B) A Direção deve solicitar o Plano de Gestão de cada Setor:

Cada Plano de Gestão deve seguir um modelo padronizado, usando, por exemplo, a estrutura abaixo descrita:

– Descrição geral dos serviços;

– Principais processos ou atividades;

– Objetivos gerenciais;

– Investimentos solicitados;

– Recursos necessários para cada investimento;

– Relação entre investimentos e os objetivos;

– Priorização dos Investimentos no Setor;

– Propostas ou sugestões de alterações nas suas estruturas ou processos.

C) A Direção deve montar uma comissão multi-profissional (médicos, enfermagem, engenharia, financeiro, etc.) para Classificar os itens descritos em cada plano:

– Por Objetivos: Aumentar a Produção, Receita, Resultado, Qualificar Áreas, Reduzir Custos, etc.;

– Por Investimentos (Equipamento, Obra, Reforma): Inovação, Substituição (por obsolescência, economia ou desativação), Complementação ou Ampliação;

– Por Recursos Necessários para sua total utilização (Equipamento, Obra, Reforma): Fontes de Energia (energia elétrica, ar condicionado, água, gases medicinais, etc.) Mobiliário, Recursos Humanos e Recursos Financeiros, com estimativa do valor total a ser gasto.

D) A Comissão multi-profissional deve definir Critérios para Avaliação dos Investimentos:

Esses Critérios visam estabelecer uma regra clara, de caráter decisório e prioritário, por exemplo, com uma pontuação ponderada para cada item abaixo:

– Melhoria da Renda / Produtividade;

– Viabilidade de Implantação;

– Estímulo ao desenvolvimento de serviços (Médico-assistenciais, Científicos ou Sociais);

– Prioridade interna de cada Setor;

– Criticidade ou Segurança.

E) Considerações Finais:

Obtida a pontuação, pode ser estabelecida uma hierarquia, de acordo com o grau de prioridade.

O Plano de Gestão de cada Setor poderá ser usado também para acompanhar as propostas de trabalho e de utilização dos recursos solicitados, ou seja, se o que foi solicitado e adquirido cumpriu as metas descritas no plano inicial.

O Plano Institucional deve também considerar:

– A relação de investimentos adquiridos nos anos anteriores, por Setor.

– Relatórios de produção, receita e resultado dos Setores nos anos anteriores.

– O crescimento harmônico da Instituição.

Uma lista organizada de investimentos já é um grande passo, porém, se a Instituição Hospitalar puder organizar regras específicas para essa lista e a Engenharia puder fazer parte dessa decisão, poderemos exercer ainda mais nosso gerenciamento dos recursos.

Um grande abraço a todos e muito obrigado pelos comentários.

Luciano Martins Gehrke

Uma resposta to “Plano Diretor de Investimentos”

  1. Lúcio Flávio de Magalhães Brito Says:

    Luciano acredito que sua iniciativa foi muito boa. Engenheiros, tecnólogos, técnicos e outros profissionais do sistema CREA/CONFEA normalmente teimam em ficar ligados no equipamento, na peça, na parte que não funciona, no prazer de consertar um equipamento ou sistema, no custo que foi reduzido em um dado reparo por equipe interna, etc.. È claro que isso é importante, mas, não podemos ficar mais só aí, temos que ir adiante, fazer mais. A área da saúde requer cada vez mais uma profissionalização que produza resultados, que afete materialmente a capacidade das organizações em produzirem. Por isso acredito que sua iniciativa pode ajudar outros colegas a perceberem isso. Gostei dos temas abordados porque contribuem com esta profissionalização. Espero que você continue. Abraço Lúcio

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