Ciclo de vida de Equipamentos Médico-Hospitalares

Inicio hoje uma forma de divulgação de idéias de nossas áreas de atuação, que envolvem a Engenharia Clínica, a Engenharia Hospitalar, as Obras e reformas em Hospitais e as áreas de facilities em Hospitais, que muitas vezes estão sob nossa gestão.

Gostaria de contar com a colaboração de todos, pois pretendo divulgar aqui idéias, conceitos e experiências que vivemos e nos envolvemos todos os dias.

Agradeço desde já a atenção e os comentários de todos.

Meu primeiro assunto é sobre Ciclo de Vida de Equipamentos Médico-Hospitalares:

Pesquisei esse tema, em várias áreas de estudo da Engenharia.

As definições abaixo são compilações de como o assunto começa a ser abordado:

– Vida Ativa: Tempo que decorre, durante o funcionamento, em que um equipamento cumpre com a missão que lhe foi destinada;

– Vida Útil: Tempo que um equipamento pode funcionar antes que ocorram falhas;

– Vida Básica: Modelo estatístico de 90% de uma amostragem idêntica, submetida às mesmas condições de operação, até o limite anterior à falha por fadiga (horas de operação com confiabilidade);

Custo do Ciclo de Vida (CCV): É o gasto total do consumidor ao longo da vida do equipamento, incluindo não só o preço de compra, mas também os custos operacionais (consumo de energia elétrica e manutenção) descontados pelo tempo de compra do produto.

– Depreciação: É uma despesa que deve ser considerada quando um bem corpóreo é adquirido para uso operacional da empresa e vai perdendo seu valor no decorrer do tempo, pelo desgaste natural com o uso, pela ação da natureza e pela obsolescência.

De uma forma geral os prazos são os seguintes:

– 4% a.a. (25 anos vida útil) para edifícios e benfeitorias;

– 10% a.a. (10 anos vida útil) para móveis e utensílios;

– 10% a.a. (10 anos vida útil) para máquinas e equipamentos;
– 20% a.a. (5 anos vida útil) para veículos em geral;
– 20% a.a. (5 anos vida útil) para computadores e periféricos;
– 25% a.a. (4 anos vida útil) para motos, tratores e caminhões.

A abordagem principal foca nos Fatores influentes na vida útil de um equipamento, separados em 3 categorias e 10 itens:

A – Condições Físicas:

1. Danos por acidente:

Choques, quedas, quebras;

2. Danos por catástrofe:

Incêndios, alagamentos;

3. Deterioração pelo tempo:

É aquela que se desenvolve e aumenta com a idade e a extensão da exposição a elementos destrutivos tais como: ferrugem, elementos químicos, variação de temperatura, efeitos mecânicos de congelamento e aquecimento, mesmo com reparos e manutenção e sem uso;

4. Dano e desgaste pelo uso:

Fricção, impacto, vibração, tração, compressão e temperatura.

B – Situações Funcionais:

5. Inadequadas:

Quando um tipo de equipamento não atende às necessidades de serviço, como, por exemplo, um transformador de 110 V numa área para 220 V;

6. Obsolescência:

a – econômica;

A utilização de bens é anti-econômica se comparada com outros modelos ou marcas;

b – de estilo e moda;

Normalmente é conseqüência da invenção de equipamentos com outro tipo de estrutura (ou mais eficientes);

7. Interferência do Usuário:

Falta ou Treinamento inadequado, mau uso ou sabotagem;

C – Situações Ligadas à Propriedade:

Podem ocorrer mesmo quando equipamentos são plenamente satisfatórios.

8. Fim da necessidade:

Equipamentos utilizados numa fase da companhia, não são mais necessários daí para a frente (mudança de objetivos, deixar de prestar algum serviço, etc.);

9. Abandono do empreendimento ou equipamento:

Um empreendimento ou equipamento é abandonado ao se apresentar outro mais vantajoso (mudança de área física ou questão econômica);

10. Exigências de órgãos públicos:

Certas instalações ou equipamentos devem ser retirados em benefício de outros, por segurança, evolução, ou em função de normas técnicas.

Esse é um assunto fundamental para entendermos e gerenciarmos nossos recursos humanos e físicos (equipamentos e instalações), que é nossa tarefa maior em uma empresa hospitalar.

Agradeço novamente às sugestões e críticas que me forem enviadas.

Minha idéia e poder abordar e divulgar, a cada 15 dias, um novo assunto.

Caso queiram enviar esse texto ou os contatos de outros colegas, copiem meu e-mail.

Obrigado a todos.

Luciano Martins Gehrke

gehrkeluciano@hotmail.com

11 Respostas to “Ciclo de vida de Equipamentos Médico-Hospitalares”

  1. Alvaro Kniestedt Says:

    Além do tema ser objeto de trabalho de profissionais que trabalham com tecnologia em saúde, entendo muito interessante iniciativas como essa.

  2. Paulo Renê Berger Says:

    A depreciação incide sobre os resultados operacionais nas intituições que tem o direito de apurar este custo antes do lucro real da operação. Esta depreciação por lei exprime o tempo de uso em um turno de trabalho de 12 horas. Para os casos de uso contínuo dos aparelhos, pleiteia-se a depreciação acelerada dos bens, o que faz com que equipamentos biomédicos possam receber esta vantagem. A informática tem sido abordada com amortização em 3 anos.
    Isot pode ser útil na reposição de itens pois elimina residuais contábeis para casos de obsolescência tecnológica, comum em equipamentos biomédicos e de informática.

  3. Luiz Piedade Says:

    Parabéns Luciano pela iniciativa, acompanharei o Blog certamente !

    SDS, Luiz Piedade

  4. Augusto Guelli Says:

    Caro Luciano

    Antes de mais nada, parabéns pela iniciativa!
    O texto de ciclo de vida reforça a importância da visão econômica no momento da decisão para incorporação tecnológica, incorpoprando o fator tempo. Pode-se dizer que qualquer incorporação tecnológica deve ser precedida de uma profunda análise da sua viabilidade, seja custo benefício, seja custo efetividade.

    Forte abraço

    Augusto Guelli

  5. Fabiano Chain Says:

    Luciano

    muito legal o blog nosso trabalho na área hospitalar é muito dinâmico e não existe melhor ferramenta que o computador para a troca de idéias.

    parabéns pela inciativa.

    valeu

  6. Kleber Teixeira de Souza Says:

    Luciano,

    Parabéns pela iniciativa.
    Como a grande maioria dos EAS são públicos e a compra neste orgãos são complicadas. Fale um pouco da melhor maneira de especificar equipamentos médicos hospitalares para uma licitação pública.
    Principalmente como evitar que equipamentos de baixa qualidade vençam uma licitação por ter um preço baixo.

    Kleber
    Montes Claros – MG

  7. Jorge L.Negretto Says:

    Parabens Luciano pela sua iniciativa!
    Espero que esse forum se transforme numa ferramenta que venha somente acrescentar a todos que labutam nessta área.

    Sucesso!

  8. Fernando Meira Says:

    Parabéns Luciano:

    Vou usar o teu texto (indicando a fonte é claro…) quando o pessoal do financeiro dos EASs devolvem um processo, pedindo para justificar a necessidade da compra de itens de equipamentos médicos.

    Abraços,
    Fernando Meira

  9. Luiz Piedade Says:

    Luciano, acompanho sempre teu blog, vai minha colaboração.

    Alguns conceitos nasceram nas indústrias e foram desvirtuados através dos tempos ou não perfeitamente adaptados. Manutenção é um deles, vamos lá:

    Corretiva: já quebrou, está parado qdo se recebe o chamado.

    Preventiva: baseado no histórico do equipamento é sabido antecipadamente, por experiência, que algum componente já está com a vida útil no fim, é feita uma parada para trocar antes que quebre, não tem sintoma algum.

    Preditiva: A mais imcompriendida: é feita através de instrumentos, ruídos e sinais (aí tem que saber interpretar e conhecer o equipamento), quando por exemplo um manometro em uma autoclave está com pressão baixa, para o equipamento pq algo está errado, e se investiga e corrige, geralmente se tem idéia do que está ocorrendo.

    Parada programada: qdo reforma-se por exemplo uma sala cirúrgica e “aproveita” para trocar ou inspecionar a tubulação, verificar instalação elétrica.

  10. Léo Janner Cartana Albornoz Says:

    Prezado(s), em 2000 defendi o mestrado em eng. biomédica com este tema: Ciclo de Vida de Equipamentos Eletromédicos. Se quiseres podemos retomar assunto.

  11. Ronaldo domingos silveir Says:

    Apesar de que o tempo deste documento, por assim dizer, ser teoricamente de longa data, acredito que o contexto e a essência deve estar sendo preservadas acordo com as especarias de leigos no assunto em pauta. Parabéns assim só se fortalecem as ideologia de melhorar a qualidade de informações a engenharia Biomedical e clinica..
    Até.ronaldo domingos Silveira (físico/eng.biomedico)

Deixe uma resposta

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: