Modernização de Elevadores

Prezados Amigos e Colegas,

Muitos de nós, tanto nas empresas onde trabalhamos, quanto nos condomínios onde moramos, já devem ter discutido a respeito da manutenção, modernização, substituição ou aquisição de elevadores.

No entanto, é preciso, além de pesquisar o que há no mercado, através das empresas fabricantes e fornecedoras, entender quais as necessidades específicas para seu uso.

Olhar os aspectos visuais de revestimento da cabine, embora haja muitas opções, normalmente é a parte mais simples.

Porém, os itens que envolvem, estudo de fluxo de usuários, performance, velocidade, consumo de energia, segurança, acessibilidade e necessidade do que e quanto transportar, além do contrato de manutenção pós-venda, muitas vezes fica de lado nas decisões.

Provavelmente, em muitas de nossas empresas e condomínios, a maioria dos elevadores já está instalada ou foi modernizada a mais de dez anos.

Voltemos no tempo para entender um pouco mais desse meio de transporte.

 

Histórico:

Os primeiros elevadores eram exclusivamente de carga e movidos a vapor.

Com o desenvolvimento de mecanismos de segurança, surgiram os elevadores de passageiros, em 1853.

Em 1857, os primeiros elevadores para passageiros eram acionados por máquinas a vapor com velocidade de cerca de 10m/min.

A partir de então, começaram a surgir edifícios cada vez mais altos e, com eles, a necessidade de equipamentos mais rápidos.

O primeiro elevador elétrico construído por volta de 1880 e foi instalado em Nova York.

A instalação do primeiro elevador no Brasil ocorreu em 1906, no Palácio das Laranjeiras – prédio do Governo do Rio de Janeiro.

Nessa época, o cabineiro abria e fechava manualmente as portas, que eram pantográficas e, através de uma manivela, fazia com que o elevador subisse ou descesse.

O cabineiro foi substituído por comandos que atendiam às chamadas registradas eletricamente, ao apertar um botão.

Mas, era preciso organizar as chamadas, para melhorar a eficiência, então, foi criado o comando automático seletivo, inicialmente eletromecânico.
 
Com o avanço da eletrônica, o comando composto de circuitos eletromecânicos deu lugar a um sistema microprocessado que passou a coordenar o funcionamento do elevador, proporcionando um significativo aumento de vida útil dos componentes, economia de energia, redução de ocorrência de defeitos e maior facilidade de conservação.

As sinalizações também evoluíram, facilitando a visualização, inclusive à distância, do funcionamento do elevador pela empresa responsável pela manutenção.

No caso da solicitação de algum profissional para efetuar um ajuste ou reparo, este já pode saber, previamente, que parte do elevador está apresentando problemas.

Existem prédios de grande fluxo, com sistemas de câmeras de vídeo, que monitoram o fluxo de passageiros, informando ao comando a demanda de cada andar, para que se programe a estratégia de atendimento mais eficiente.

Hoje, alguns elevadores podem atingir a velocidade de 550m/min.

 

Situação atual no Brasil:

No Brasil, estima-se que há cerca de 300 mil elevadores instalados, a maioria com mais de duas décadas de uso.

Em torno de 10 mil novos elevadores são instalados a cada ano, em função do aumento da demanda pela construção civil nos últimos anos.

A maior preocupação é a segurança nos elevadores mais antigos, pois, segundo os principais fabricantes, a modernização técnica deve ocorrer a partir de 15 anos de uso.

 

Descrição do Equipamento e Itens de Segurança:

Os elevadores consistem basicamente num carro fechado, equilibrado por um contrapeso, que se move por meio de cabos de aço tracionados por um motor elétrico.

Normalmente, os elevadores são contrabalançados por um contrapeso equivalente ao peso do carro vazio mais cerca de 50% de sua capacidade máxima.

O contrapeso reduz a força necessária para elevar o carro, fornecendo também certa desaceleração que serve para auxiliar o controle da velocidade na descida.

Todos os elevadores possuem um sistema de freio principal que fica localizado na máquina de tração, sendo acionado sempre que o elevador for estacionar em determinado pavimento.

Além desse sistema de freio principal, todo elevador possui um sistema de freio de segurança.

Normalmente, a velocidade é controlada pelo limitador de velocidade, porém, quando a velocidade de descida excede o limite pré-determinado, o freio de segurança é acionado travando o elevador junto às guias.

Em todos os poços de elevadores são previstos amortecedores hidráulicos ou de molas de compressão, para reduzir os efeitos de um eventual impacto com o carro.

Outro importante equipamento de segurança é o sistema de travamento das portas de pavimento, que impede o movimento do elevador até que todas estejam completamente fechadas.

Para as portas automáticas, são previstos mecanismos de sensoriamento que impedem que a porta casualmente se feche enquanto um passageiro entra ou sai.

 

Benefícios da Modernização:

Um usuário comum, normalmente, não terá condições de analisar o grau tecnológico e de segurança de um elevador, se a cabina não se mostrar esteticamente atraente e confortável.

O design de uma cabina pode chegar a ponto de influenciar psicologicamente seus usuários, em função da aparente valorização do patrimônio, porém, ela não é o primeiro item no projeto de modernização.

Além das cabinas, os sintomas mais freqüentes do desgaste são as paradas bruscas (trancos), desnivelamento da cabina com o piso do andar (degrau), consumo elevado de energia (picos na partida e frenagem) e custos elevados com manutenção (troca de peças fora de linha).

Assim que o elevador apresentar paralisações frequentes ou despesas excessivas com peças, já é hora de começar a pensar em modernizar.

Porém, é importante lembrar que a manutenção correta e por empresas habilitadas no equipamento, é essencial para um funcionamento seguro e com poucas falhas.

É fundamental realizar este tipo de serviço com empresas que respeitem as exigências legais e sejam cadastradas nos órgãos competentes.

A modernização traz benefícios como o aumento da confiabilidade e da segurança, melhoria da performance, eliminação de ruídos e vibrações, proporcionando viagens mais confortáveis, em muitos casos até cerca de 40% de economia de energia, além de redução no valor do contrato de manutenção e conservação.

A segurança deve ser a prioridade do responsável pela modernização do elevador.

Os itens que devem ser priorizados são a atualização e inovação de importantes componentes do elevador, tais como, o quadro de comando, máquinas de tração, motor, cabinas, botoeiras de cabina e pavimento e indicadores.

Podendo também ser atualizadas peças simples, como por exemplo, espelhos, réguas de segurança, ou ainda, o revestimento da cabina, que valorizam o patrimônio e diminuem a incidência de vandalismo.

A modernização pode ser Parcial ou Integral, porém, nos dois casos, pode-se reaproveitar alguns componentes do elevador antigo.

As empresas fornecedoras podem oferecer propostas diferentes, de acordo com o que avaliaram e os responsáveis podem ficar em dúvida se determinado equipamento deve ser trocado ou não.

Nesses casos, é indicado contratar uma consultoria especializada que, além de dar um parecer sobre a real situação do equipamento, elabora um laudo de modernização, detalhando item a item o que deve ser substituído ou aperfeiçoado, para que cada empresa faça a sua proposta de acordo com essa especificação, fazendo assim, com que as propostas possam ser comparadas de maneira uniforme e com que o responsável possa ter segurança de que está modernizando o que realmente o necessita.

Um projeto de modernização de elevadores pode chegar a alguns milhões e, por isso, o gasto com uma consultoria passa a ser insignificante perto da responsabilidade que a empresa ou condomínio tem na hora de contratar uma modernização.

Além do que, as consultorias têm experiência na negociação desses contratos, podendo reduzir o valor do mesmo, conseguir um financiamento maior, reduzir o tempo de entrega e, checar se o que foi montado está sendo entregue, conforme especificado e contratado.

 

Itens importantes a substituir:

Na reforma ou modernização de um elevador, priorize os sistemas de segurança:

- Quadro de comando, com variador de freqüência e de velocidade;

- Portas e Operadores de portas;

- Limites de fim de curso;

- Cabos de aço;

- Polias;

- Revisão ou substituição da máquina de tração.

 

Além disso, há outros itens que devem ser incluídos para dar segurança ao usuário:

- Iluminação de emergência;

- Alarme de emergência;

- Sistema de comunicação ou Intercomunicador;

- Itens de Acessibilidade (indicação visual e sonora de andares; botoeiras com sensibilidade por pressão e sintetizador de voz; sinalização interna e externa em codificação Braile; altura, em relação ao piso, de botoeiras e painéis; suportes internos para guarda-corpo, bate-macas ou corrimão; etc.);

- Comando de parada no andar mais próximo, em caso de falta de energia, com as portas abertas;

- Conexão com sinalização para acionamento por gerador;

- Réguas de sensores, em toda a extensão das portas.

- Uma chapa de aço colocada abaixo da soleira, também conhecida como avental protetor, para retirada de usuários trancados nas cabinas, entre andares, evitando que alguém caia dentro do poço;

- Indicadores internos e externos de andar.

 

Para as reformas de cabina, é importante saber que:

Estruturas como portas, pisos, tetos e acessórios de cabinas podem ser substituídas por materiais duráveis, bonitos, com preços e condições de parcelamento acessíveis.

Pode-se optar por uma modernização geral ou parcial da cabina, priorizando-se as necessidades de cada edifício, personalizando o interior e elaborando projetos que evidenciem as maiores necessidades dos usuários.

 

Itens de modernização da cabina:

- Revestimentos em aço, folheado em madeira ou em fórmica;

- Espelho;

- Corrimão, Guarda-Corpo e Bate-Macas (simples, duplos ou triplos, com iluminação indireta e com laterais revestidas);

- Portas e operadores de porta (com sistemas de segurança e sensores infravermelhos);

- Subteto, como acrílico ou aço-carbono;

- Sistema de comunicação ou Intercomunicador;

- Piso, como blocos ou placas laminadas, granito ou “paviflex”;

- Botoeiras, com sinalização visual e sonora e;

- Iluminação.

 

Para saber mais, procure as Normas Técnicas relacionadas:

- NBR NM 313:2007- Elevadores de passageiros – Requisitos de segurança para construção e instalação – Requisitos particulares para a acessibilidade das pessoas, incluindo pessoas com deficiência.

- ISO 3154:1988 – Stranded wire ropes for mine hoisting – Technical delivery requirements.

- ISO 3155:1976 – Stranded wire ropes for mine hoisting – Fibre components – Characteristics and tests.

- ISO 3156:1976 – Stranded wire ropes for mine hoisting – Impregnating compounds, lubricants and service dressings – Characteristics and tests.

- ISO 4190-5:1987 – Part 5: Lifts and service lifts (USA: elevators and dumbwaiters) -: Part 5: Control devices, signals and additional fittings.

- ISO 4190-6:1984 – Part 6: Lifts and service lifts (USA: elevators and dumbwaiters) -: Part 6: Passenger lifts to be installed in residential buildings – Planning and selection.

- ISO 8383:1985 – Lifts on ships – Specific requirements.

- NM 207:1999 – Ascensores eléctricos de pasajeros – Seguridad para la construcción e instalación: Elevadores elétricos de passageiros – Requisitos de segurança para construção e instalação.

- NM 196:1999 – Ascensores de pasajeros y montacargas – Guías para cabinas y contrapesos – Perfil T: Elevadores de passageiros e monta-cargas – Guias para carros e contrapesos – Perfil T.

- NBR NM 207:1999 – Elevadores elétricos de passageiros – Requisitos de segurança para construção e instalação.

- NB 233:1975 – Elevadores de segurança para canteiros de obras de construção civil.

- MB 129:1955 – Inspeção de Elevadores e Monta-cargas Novos – Método Brasileiro.

- MB 130:1955 – Inspeção periódica de Elevadores e Monta-cargas – Método Brasileiro.

- NM 267:2001 – Ascensores hidráulicos de pasajeros – Seguridad para la construcción e instalación: Elevadores hidráulicos de passageiros – Requisitos de segurança para construção e instalação.

- NBR 5665:1983 – Cálculo do tráfego nos elevadores – Procedimento.

- NBR 5666:1977 – Elevadores elétricos – Terminologia.

- NBR 7192:1998 – Elevadores elétricos – Elevadores de passageiros, elevadores de carga, monta-cargas e elevadores de maca – Projeto, fabricação e instalação (substituiu a NB 30).

- NBR 10083:1987 – Elevador de degrau sobre esteira – Procedimento.

- NBR 10098:1987 – Elevadores elétricos – Dimensões e condições do projeto de construção.

- NBR 11166:1990 – Elevadores de caçambas para grãos vegetais – Terminologia.

- NBR 10982:1990 – Elevadores elétricos – Dispositivos de operação e sinalização – Padronização.

- NBR 12892:1993 – Projeto, fabricação e instalação de elevador unifamiliar – Procedimento.

- NBR 13994:2000 – Elevadores de passageiros – Elevadores para transporte de pessoas portadoras de deficiência.

- NBR 14364:1999 – Elevadores e escadas rolantes – Inspetores de elevadores e escadas rolantes.

- NBR 14712:2001 – Elevadores elétricos – Elevadores de carga, monta-cargas e elevadores de maca – Requisitos de segurança para projeto, fabricação e instalação.

- NBR 15597:2008 – Requisitos de Segurança para a construção e instalação de elevadores – Elevadores existentes – Requisitos para melhoria da segurança dos elevadores elétricos de passageiros e elevadores elétricos de passageiros e cargas.

 

O elevador é considerado o meio de transporte mais seguro, desde que haja uso adequado, uma manutenção eficiente e com responsabilidade técnica.

 

Agradeço a contribuição e comentários de todos, no Blog e na Web-site.

 

Luciano Martins Gehrke

 

gehrkeluciano@hotmail.com

 

http://www.gerenciamentodecrise.com.br/site

 

http://engenharianasaude.wordpress.com/

           

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3 Respostas to “Modernização de Elevadores”

  1. Marcio Christofoli Says:

    Luciano, bom dia!
    como trabalhei em dos grandes fabricantes de elevadores, concordo com todos os seus comentarios referentes aos cuidados em se modernizar ou nao o elevador.

    Mas os condominios tem que ter cuidado quando as paralizações começam a se tornar frequentes, pois pode ser uma manobra de venda da empresa prestadora de serviço, forçando uma venda ou modernização. Atravez de paralizações ou mesmo programando para que o equipamento apresente falhas em seu funcionamento.
    Cabe lembrar que as empresas trabalham com metas, e muitas vezes um equipamento mesmo que antigo poderia funcionar perfeitamente bem com todas as seguranças, desde que seja feita uma manutenção preventiva. Vale lembrar ainda que manutenção em elevador não se faz em 30 minutos, para verificar todos os itens como:
    Casa de Maquinas:
    Chave de força; Disjuntores; Conexões e
    fiação de entrada;Proteçoes do quadro de comando; Conjunto luz de emergencia; maquina; Motor; Freio; Acoplamento maquina motor; Polias de tração e Regulador de Velocidade; Cabos de Tração e Cabo do Regulador.
    Pavimentos:
    Botoeiras;mostradores de pavimento;Portas;Soleiras;Fecho eletromecânico e Bomba hidraulica.
    Cabina:
    Botoeira; Cabineira;Alta-Voz;Ventilador;Iluminação;Conjunto de antenas de segurança; mostradores de Cabina; Luz de emerngencia e Alarme.
    Cabina em Cima:
    Corrediças; Fixação dos cabos de manobra;Chaves eletronicas;Breque de segurança;Operador de porta;Rampa articulada e Sistema manutenção.
    Caixa de Corrida:
    Polia de desvio;Limitadores superiores;Guias e suportes;Cabos de Manobra;Rampa movel;Contrapeso;Breque de emergencia do contra peso; e Sinalizações.
    Poço:
    Limitadores inferiores; Corrediças Breque da cabina;Cornija;Mola/amortecedor;Polia do cabo regulador e Interior do poço.

    Para executar estes serviços o técnico deve ficar no minimo duas horas. Caso contrario o técnico esta ou fazendo uma manutenção dirigida ou nao esta fazendo manutenção.

    Espero ter ajudado um pouco.

    Márcio Christófoli

    mchristofoli@hotmail.com

  2. Fernando Meira Says:

    Mais uma vez brilhante exposição do colega.

    Vale lembrar, no tópico Histórico, que hoje em dia existem elevadores que recuperam parte da energia gasta com seu movimento, e as aplicações em edifícios green já estão se valendo desta característica.

    abraços,
    Fernando Meira

  3. Lucia Polachini Says:

    Gostei muito do artigo e da orientação referente as normas ABNT. Gostaria de saber 1) um elevador pode ser revestido de painel de madeira? Tem alguma contra indicação? algum perigo (inflamavel, etc.)? 2) Gostaria de ler a NBR NM 207 na íntegra, alguém poderia me enviar essa norma somente para uma leitura para conscientização do conteúdo? muito obrigada,
    Lúcia

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